Regras de prontuário do COFFITO e do CFM para a ficha do bebê
Fernanda TavaresCofundadora do Assimetrias Cranianas
Publicado em · Atualizado em · 8 min de leitura
As regras de prontuário do COFFITO e do CFM dizem que o registro do atendimento é obrigatório, que ele pertence ao paciente e fica sob a guarda do profissional ou da instituição, e que só pode ser acessado por quem participa do cuidado. Desde 2018, a Lei 13.787 fixou em 20 anos, a partir do último registro, o prazo mínimo de guarda.
Resumo
- O registro em prontuário é obrigatório para fisioterapeutas (COFFITO 414/2012) e médicos.
- A Lei 13.787/2018 fixa 20 anos de guarda mínima a partir do último registro.
- Prontuário eletrônico é permitido, com requisitos de segurança e integridade.
- Dados de saúde de criança seguem também a LGPD.
O que dizem as normas
A Resolução COFFITO 414/2012 trata da obrigatoriedade, da guarda e do descarte do prontuário do fisioterapeuta; a Resolução CFM 1.821/2007 trata do prontuário médico em meio eletrônico; a Lei 13.787/2018 trata da guarda e da digitalização.
| Norma | Para quem | O que trata |
|---|---|---|
| Resolução COFFITO 414/2012 | Fisioterapeutas | Obrigatoriedade do registro, guarda e descarte do prontuário |
| Resolução CFM 1.821/2007 | Médicos | Digitalização e uso de sistemas informatizados para o prontuário |
| Lei 13.787/2018 | Todos os profissionais de saúde | Digitalização, guarda e prazo mínimo de 20 anos |
| LGPD (Lei 13.709/2018) | Todos | Dados sensíveis de saúde e dados de crianças |
Resumo informativo. Confira o texto integral das normas antes de definir a sua rotina [VALIDAR artigos].
O prazo de guarda: 20 anos
Pelo art. 6º da Lei 13.787/2018, o prontuário pode ser eliminado só depois de 20 anos a partir do último registro.
O prazo conta do último registro, e não da primeira consulta. Para um bebê acompanhado até o primeiro ano e que volta aos 3 anos para uma avaliação, o prazo recomeça a contar a partir dessa nova anotação. O texto está na publicação original da lei.
A lei também permite que regulamentos estabeleçam prazos diferentes para alguns casos. Na prática, guardar pelo menos 20 anos é o caminho seguro.
O que registrar em cada consulta
Identificação, queixa, exame, condutas, orientações e evolução, com data e identificação de quem atendeu.
- Data e identificação do profissional com registro
- Queixa e história relatadas pela família
- Avaliação e medidas, com método
- Conduta e orientações dadas
- Evolução em relação à consulta anterior
- Consentimentos registrados, como o de fotos
Para o bebê com assimetria, as medidas com data e idade corrigida são o coração do registro, porque é delas que dependem o relatório, o encaminhamento e o laudo.
Prontuário eletrônico: o que exigir do sistema
O sistema precisa garantir integridade, autenticidade, confidencialidade e registro de quem acessou e alterou cada informação.
A Lei 13.787/2018 e a Resolução CFM 1.821/2007 tratam dos requisitos para o prontuário digital, inclusive a digitalização de documentos em papel. Em geral, o sistema precisa impedir alterações sem registro, controlar quem acessa e guardar cópias de segurança.
A assinatura com certificado digital é um dos pontos mais discutidos, porque é o que permite dispensar o papel em muitos casos [VALIDAR requisitos de assinatura para cada conselho].
Prontuário com registro de acesso e exportação
A ficha do bebê guarda medidas, fotos com consentimento e evolução, com acesso por função.
Quem pode acessar a ficha do bebê
Os profissionais que participam do cuidado e a própria família, que tem direito de acesso aos dados da criança.
A recepção pode precisar ver a agenda e o contato, mas não precisa ver a avaliação clínica. Um bom sistema separa esses acessos. A família, por sua vez, tem direito de pedir cópia do prontuário, o que reforça a importância de um registro claro e respeitoso.
Para as fotos e o WhatsApp, as regras da LGPD estão em leia também: fotos do bebê no WhatsApp e a LGPD.
Quando o profissional muda de sistema ou encerra o consultório
A obrigação de guarda continua: os dados precisam ser exportados e mantidos acessíveis pelo prazo legal.
Antes de cancelar um sistema, exporte todas as fichas em formato que você consiga abrir no futuro, como PDF e planilha. No Especialista Parceiro, a exportação fica liberada por 30 dias após o fim do plano, justamente para que a guarda continue com o profissional.
Prontuário em papel, digitalizado ou eletrônico
Os três formatos são possíveis; o que muda são os cuidados para garantir guarda, integridade e acesso pelo prazo legal.
| Formato | Vantagem | Cuidado principal |
|---|---|---|
| Papel | Simples de começar | Espaço, deterioração e acesso controlado por 20 anos |
| Papel digitalizado | Libera espaço | Seguir as regras de digitalização da Lei 13.787/2018 |
| Eletrônico desde o início | Medidas, gráficos e busca | Sistema com controle de acesso, cópia de segurança e exportação |
Para quem acompanha bebês com medidas frequentes, o eletrônico costuma ser o mais prático, porque o gráfico e o relatório saem das próprias medidas registradas.
Erros comuns no prontuário do bebê
Os erros mais comuns são anotações vagas, ausência de medidas datadas, falta de consentimento registrado e prontuário espalhado entre papel e WhatsApp.
- "Bebê evoluindo bem" sem medida ou critério
- Medidas sem data ou sem método
- Fotos guardadas só no celular
- Consentimento combinado de boca, sem registro
- Retorno anotado na agenda, mas não na ficha
Cada um desses erros parece pequeno no dia a dia e vira um problema quando é preciso fazer um laudo, responder a uma fiscalização ou passar o caso para outro profissional.
Uma rotina simples para manter o prontuário em dia
Registre durante ou logo após a consulta, use campos padronizados para as medidas e revise as pendências no fim do dia.
O prontuário atrasado é o mais incompleto: o que não foi anotado na hora se perde. Campos padronizados para as medidas, com data e idade preenchidas automaticamente, reduzem o tempo de registro. Uma revisão rápida no fim do dia, olhando quem ficou sem evolução, fecha a rotina.
Com o prontuário em dia, o relatório da família, o encaminhamento e um eventual laudo saem do que já está registrado, sem retrabalho.
Para clínicas com mais de um profissional, vale combinar um padrão comum de registro: os mesmos campos, a mesma forma de anotar medidas e as mesmas abreviações. Assim, qualquer profissional da equipe entende a ficha do colega, a família não precisa repetir a história e o prontuário cumpre o papel de documento único do cuidado da criança.
Prontuário em papel ou eletrônico
Os dois são aceitos, desde que garantam guarda, sigilo e acesso; o eletrônico facilita gráficos de medidas e cópias para a família.
Muitos consultórios ainda usam fichas em papel, e elas continuam válidas quando bem guardadas. O problema aparece com o tempo: fichas que se perdem, letras difíceis de ler e medidas espalhadas em várias folhas, sem um gráfico que mostre a evolução. Para o bebê com assimetria, em que a tendência das medidas é central, o registro eletrônico costuma ajudar.
Na migração, digitalize as fichas antigas ou guarde-as em local seguro até o fim do prazo legal. O que não pode acontecer é descartar o papel antes de 20 anos do último registro.
O selo e o prontuário
O selo de Especialista Parceiro confirma o registro no conselho; o prontuário mostra a qualidade do registro clínico. Um não substitui o outro.
O conselho fiscaliza o profissional, e o prontuário é uma das primeiras coisas olhadas numa denúncia ou fiscalização. Para entender o que o selo confirma, veja leia também: o que um selo de verificação confirma.
Perguntas frequentes
Posso jogar fora fichas de papel antigas?
Só depois do prazo legal, ou depois da digitalização nos termos da Lei 13.787/2018 e das normas do seu conselho [VALIDAR].
O prontuário é do profissional ou do paciente?
As informações são do paciente; a guarda é do profissional ou da instituição.
A família pode pedir cópia?
Sim. O responsável legal pode pedir cópia dos dados da criança.
Fisioterapeuta precisa de assinatura digital?
Depende do formato e das normas do COFFITO para o prontuário eletrônico [VALIDAR].
O WhatsApp pode ser o prontuário?
Não. Conversas não substituem o registro organizado, com controle de acesso e guarda.


