Estimativa de plagiocefalia por cidade: método, fontes e limites da conta
Bruna CâmaraCofundadora do Assimetrias Cranianas
Publicado em · Atualizado em · 7 min de leitura
A estimativa de plagiocefalia por cidade que aparece nas páginas do diretório é uma conta simples: os nascimentos de 2024 na cidade, segundo o IBGE, multiplicados por 46,6%, a proporção de bebês com algum grau de achatamento aos 2 meses num estudo publicado na revista Pediatrics. O número mostra a ordem de grandeza da procura possível, não o número de pacientes.
Resumo
- Estimativa = nascimentos de 2024 (IBGE) × 46,6% (Mawji et al., 2013).
- O número inclui casos leves, que muitas vezes não chegam a uma consulta.
- Serve para comparar cidades e dimensionar a procura, não para prever pacientes.
- Cada página de cidade mostra a conta com a fonte.
A conta, passo a passo
Pegamos os nascidos vivos de 2024 de mães que moram na cidade e multiplicamos por 0,466.
Nascimentos
IBGE, Estatísticas do Registro Civil 2024, tabela 2612 do SIDRA, variável "nascidos vivos ocorridos no ano", por município de residência da mãe.
Proporção
46,6% dos bebês com algum grau de achatamento entre 7 e 12 semanas (Mawji et al., 2013).
Multiplicação
Nascimentos × 0,466, arredondado para centenas.
| Cidade | Nascimentos em 2024 | Estimativa |
|---|---|---|
| Palmas/TO | 4.703 | ≈ 2.200 |
| Recife/PE | 15.883 | ≈ 7.400 |
| São Paulo/SP | 120.394 | ≈ 56.100 |
Três exemplos. As 29 cidades estão na tabela de nascimentos.
De onde vem o 46,6%
De um estudo de coorte canadense, publicado na Pediatrics em 2013, que examinou bebês saudáveis entre 7 e 12 semanas de vida.
O estudo de Mawji e colegas encontrou algum grau de plagiocefalia posicional em 46,6% dos bebês examinados nessa idade. A maioria dos casos era leve. É um dos números mais citados sobre a frequência do achatamento nos primeiros meses.
Usamos esse valor por falta de um estudo brasileiro equivalente de base populacional. Se surgir um dado nacional mais adequado, a conta será atualizada.
O que o número diz
Diz quantas famílias, por ano, podem notar alguma assimetria no bebê e, potencialmente, procurar orientação.
É um indicador de tamanho da procura possível. Ele ajuda a comparar cidades: uma capital com 120 mil nascimentos tem uma procura potencial muito maior do que uma com 5 mil, e isso pesa na decisão de investir tempo ou dinheiro em ser encontrado.
O que o número não diz
Não diz quantos bebês precisam de tratamento, quantos vão procurar um profissional nem quantos vão chegar ao seu consultório.
- Não é número de pacientes
- Não é número de bebês que precisam de órtese
- Não considera a região metropolitana
- Não considera a concorrência na cidade
- Não substitui os dados da sua própria agenda
Muitos casos leves melhoram só com orientação e nunca chegam a uma consulta específica. Outros são acompanhados pelo pediatra. A estimativa é o teto da procura possível, não a demanda real.
Veja a estimativa da sua cidade
Nascimentos de 2024, estimativa e vagas por especialidade nas 29 cidades.
Como usar a estimativa na sua decisão
Use para comparar cidades, para dimensionar o esforço de ser encontrado e para planejar a agenda junto com o calendário de nascimentos.
Se você atende em duas cidades, a estimativa ajuda a decidir onde priorizar o destaque. Combinada com o calendário mês a mês, ajuda a planejar a agenda. Para o lado do custo, veja leia também: quanto custa cada peça e o pacote, e para o calendário, leia também: quando a agenda de assimetria enche no ano.
Divida a estimativa da sua cidade pelo número de profissionais da sua especialidade que você conhece na região. O resultado não é preciso, mas mostra se a procura potencial é grande ou pequena para cada um. Lembre-se: são só 3 vagas de destaque por especialidade em cada cidade.
Por que usamos o município de residência da mãe
Porque mostra onde a família mora e, portanto, onde ela vai procurar atendimento depois do parto.
O IBGE publica os nascimentos tanto pelo lugar do parto quanto pelo município de residência da mãe. Para estimar a procura por atendimento, o segundo é mais útil: muitas famílias de cidades vizinhas dão à luz na capital, mas voltam para casa e procuram os profissionais perto de onde moram.
Isso também explica por que a estimativa da capital pode ser menor do que o número de partos feitos nela. Os bebês das cidades da região metropolitana ficam fora da conta da capital e entram na conta do município onde a mãe mora.
Como refazer a conta para outra cidade
Consulte os nascidos vivos do município na tabela 2612 do SIDRA, escolha o ano e multiplique por 0,466.
O SIDRA, sistema de dados do IBGE, permite escolher a tabela, a variável, o município e o ano. Com o número de nascidos vivos em mãos, basta multiplicar por 0,466 e arredondar para centenas, como fazemos nas páginas do diretório. A conta leva poucos minutos e pode ser repetida para qualquer município do país.
Se você atende uma região com várias cidades pequenas, some os nascimentos de todas antes de multiplicar. O resultado mostra a procura potencial da região como um todo, o que é mais útil do que olhar cada cidade separada.
Como o número pode ser melhorado
Com dados brasileiros sobre a frequência e a gravidade da assimetria, e com dados de procura real vindos do próprio diretório.
A maior limitação da conta é usar um estudo canadense para estimar a frequência no Brasil. Um estudo brasileiro de base populacional, com bebês examinados na mesma idade, permitiria uma estimativa mais próxima da realidade local. Também seria útil separar os casos leves dos moderados e graves, que são os que mais procuram tratamento.
Com o tempo, o próprio diretório vai gerar dados de procura: quantas famílias pesquisam por especialidade e por cidade, sem identificar ninguém. Quando houver volume suficiente, esses números podem complementar a estimativa e mostrar a procura real, e não só a possível.
Um exemplo de leitura completa
Em Palmas, com 4.703 nascimentos em 2024, a estimativa fica perto de 2.200 bebês com algum grau de achatamento.
Esse número não significa 2.200 consultas. A maioria dos casos é leve e se resolve com orientação de posição e tempo de barriga para baixo. Uma parte menor chega à fisioterapia, e uma parte ainda menor chega à avaliação de órtese. Mesmo assim, o número mostra que, numa capital pequena, há centenas de famílias por ano que podem procurar orientação.
Comparar esse número com o de São Paulo, com mais de 120 mil nascimentos, ajuda a entender a escala: a procura potencial na maior cidade é cerca de 25 vezes maior. É por isso que o número de vagas de destaque é o mesmo, mas a disputa por elas tende a ser bem diferente.
Por que mostramos o método
Porque um número sem fonte e sem método não ajuda ninguém a decidir, e pode passar uma impressão errada.
Muitos materiais de mercado citam "milhares de pacientes" sem dizer de onde vem a conta. Preferimos mostrar a fonte, o ano e o cálculo, e dizer o que o número não significa. Assim, você pode refazer a conta, questionar e decidir com os seus próprios critérios. Veja a conta aplicada a cada lugar em ver a página da sua cidade.
Perguntas frequentes
Por que não usar dados de atendimentos do SUS?
Porque os registros de atendimento não identificam bem a assimetria posicional, que muitas vezes é tratada sem um código específico.
A estimativa inclui braquicefalia?
O estudo trata da plagiocefalia posicional. Usamos o número como ordem de grandeza da assimetria nos primeiros meses.
Por que arredondar para centenas?
Para não passar uma precisão que a conta não tem.
O número muda todo ano?
Sim, com os nascimentos do ano. Atualizamos quando o IBGE publica dados novos.
Posso usar a estimativa no meu material?
Pode, citando as fontes: IBGE e Mawji et al., 2013.

